25 março 2008

Jardim

as flores sombram os pardais

os pardais florescem pétalas

as pétalas nuveiam-se íntegras

sobre os olhos-quase do poeta
© Rubens da Cunha

11 março 2008

poço

1

tijolo
musgo
escura água circular

vez ou outra
uma rã desastrada

2

espaço e solidão
verdóem nos olhos
ajoelhado
à beira do poço

o menino narcisa-se
© Rubens da Cunha

Às palavras dos amigos... II

as palavras são irmãs

gostam uma das outras
mais do que podemos imaginar

duas poetas exerceram seu ofício
a partir do meu ofício

Andréa Motta no Jardim da Poesia

e

Cecília Cassal no Lua em Libra


Muito do poeta que sou se sustenta por esses diálogos,
às minhas iguais, novamente obrigado

04 março 2008

pesa o desejo
espírito disfarçado
em pássaro

peca o desejo
sempre a mesma hóstia
sob a carne consagrada

peça o desejo
e lhe será dado
mais que

que o milagre da palavra

Às palavras dos amigos...

Alguns amigos falaram em seus blogs do meu livro 'Aço e Nada'

a eles, agradeço com profundezas,

a vocês, que vieram hospedar-se nessas paragens, convido a conhecê-los, para além do que falaram do meu livro... Em cada uma destas casas há um mundo de poesia e deslumbramentos.

Edna Battaglini, Vendaval com Poesias

Alex Pinheiro, InventO

Felipe Damo, Os textos que não mostrei pra ninguém

Enzo Potel, Conto de Facas

26 fevereiro 2008

grafo
teu absurdo

enquanto
gritas para mim
um substantivo espasmo

grifo
teu contorno

enquanto
dormes adjetivada
por minha vigília

® Rubens da Cunha

20 fevereiro 2008

o amor desfeito
- casa em desarvorado acaso -

é como se ruasse os fugitivos
em mais desabrigo

e desse a eles
não só a distância

mas toda uma estrada
sem curvas

sem nervos

13 fevereiro 2008

Resenha: O mundo que transborda de si

o Italo escreveu uma bela resenha para o meu livro "Aço e Nada" que foi publicada no caderno Idéias do Jornal A Notícia.

Aqui no blog do Italo: Um Sentir Complementa o Outro, vc pode ler além da resenha outros textos dele.

07 fevereiro 2008

Três histórias de amor

1
eu lhe disse:
cuida do teu pasto, cordeiro!

surdo a si mesmo
olhou-me lã e maciez

pediu para ficar

obedeci


2
ele e o gato sonoleavam
sobre a cama

gritei escuros

eles acordaram

a gato fez-se estrada
ele amanheceu em mim

3

tinha esquecido
perdoar é ser lobo

conseguiu
solidão e luar
uivam seu futuro


Rubens da Cunha

29 janeiro 2008

Rir

1
meu riso é uma escora
sustenta-me

eu sou da escória
contento-me
em mostrar os dentes

e seguir firme e falso

2
teu riso é grave
gravata de medo

tu és Deus
e como tal
deve padecer de seriedades
para obter respeito

3
seu riso é punho
antônio
joão
josé
ele é homem
e não sabe

4
nosso riso é risco
juntos sementeamos
juntos caímos entre os espinhos

5
vosso riso é testemunha
delata alturas nunca vistas

sois carne forjada
é um peso a ser tirado das costas

6
seus risos são ruas
fecham-se curvos

estiagem vazia de sentido


® Rubens da Cunha

23 janeiro 2008

Hífens - by Daniela Mendes

formigas atravessam
a delicadeza

dançam
sob o olhar de Daniela

cometem a poesia
restrita aos inúteis:

vivem

Meme (onde você estava em...)

a Suzana me perguntou:

O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?
Cursando a primeira série, meio que extensão da minha casa, pois a minha primeira professora era a minha mãe.

2. E em 1983, há 25?
Entrando pro ginásio - para os modernos, ginásio era um período entre a quinta e oitava série - :) e descobrindo umas coisas que não precisavam ser tão difíceis.

3. O que você estava fazendo em 1988?
Tentando entender por que as coisas ficavam ainda mais difíceis.

4. E em 1993?
Vislumbrava as primeiras luzes dentro do túnel.

5. O que estava fazendo há 10 anos?
Escrevendo poemas românticos e de suicídio.

6. E há cinco?
Acreditando que o meu primeiro livro era o máximo.

Eu pergunto aos amigos

Enzo
JB
Italo
Daniela

15 janeiro 2008

Circo


corpo e dor

gêmeos caricatos
fetos inteiros

para o riso dos alheios

® Rubens da Cunha

Ilustração: Götz Diergarten

11 janeiro 2008

Favor

rosa pétrea
a voz dele
lambe ferrugens

fagulha lembranças
que meu corpo
já não sabe

instinto
insisto
inquieto
meu baixo
rosáceo
dizem meus pés
- fêmea larga
larga-nos ao
silêncio
por amor

08 janeiro 2008

Nina Simone

Tem certas coisas que minha arte jamais terá: uma delas é esta entrega, esta entrega perigosa.

Nina Simone para os fortes

21 dezembro 2007

Palavras Emprestadas 9

O blog Discurso dos Dias de António Sá Moura traz um brilhante texto "Carta ao Egito" de Pedro Oon sobre poesia e poetas.

Aqui => http://discursodosdias.blogspot.com/2007/12/pedro-oom.html#links

19 dezembro 2007

cruz nas costas
encosto na alma
cavalo
dentro de cada nuvem
anjos lacrimejam
sobre o menino Yeshua
© Rubens da Cunha

10 dezembro 2007

várzea

...
quase verão no brasil
a umidez
o suor
ao norte
terremoto
ao sul
o poeta
procura a paciência
um dia encontra

...

05 dezembro 2007

espanto e suor
brasaquimera
a sola do pé arde

caminharei destinado
às surpresas de ser homem

é tarde em dezembro
no sangue
estiagem e saudade



Rubens da Cunha

Fernando Karl

Amigos

o poeta Fernando Karl é um nome decisivo na minha vida de escritor. Se a minha escrita tem um antes e um depois, tudo deve-se a ele.

Pois agora Fernando caiu na rede. Eis seu blog: www.nautikkon.blogspot.com .

Apareçam por lá e descubram a força imagética de seus poemas.