11 março 2008

poço

1

tijolo
musgo
escura água circular

vez ou outra
uma rã desastrada

2

espaço e solidão
verdóem nos olhos
ajoelhado
à beira do poço

o menino narcisa-se
© Rubens da Cunha

18 comentários:

Anônimo disse...

Rubens, já narcisei-me muitas vezes no poço da casa de sítio de minha madrinha.
Faz tanto tempo. Foi tão bom agora lembrar daquela "água redonda", daquela solidão circular. Eu gritava lá pra dentro "bá" e o poço
me recitava em ecos de frescor
na tarde quente "báá... báá... bá´á a´á..." Bj da Fatima de Laguna

alex pinheiro disse...

Eu gosto mesmo é da água na enxurrada,,, quando batizado em total imersão de irresponsabilidade.

Bendita água protegida pelos deuses, pobres serventes da delicadeza infantil... rs

Abraços e sutis invenções!

Ilaine disse...

Poços...também lembram minha infância. Eram perigosos e proibidos. Eu jogava pedrinhas e minha imagem lá dentro movimentava-se. Tinha algo de misterioso.

Belo poema, Rubens!

Abraço

Carla disse...

e que belas memórias em palavras de recordações

Lorreine Beatrice disse...

Rubens,
Faz um bom tempo que não comento por aqui, mas sempre acompanho seus passos e versos. Especialmente esses que nos trazem paisagens à mente.
Abraços!

guianafrancesa2005 disse...

Sempre que leio sobre poços, lembro do filme de Branca de Neve(amooooo! rsss)

E narcizar-se num poço é melhor,mais poético e mais agradável do que diante um espelho.

beijo.Gisele
www.inventandoagentesai.blogspot.com

isabel mendes ferreira disse...

Nunca. Nunca a solidão. Na tua casa alimento-me da fome de Poesia.

Rubens,,,

o menino é mesmo Bom.


Beijos.

e obrigada.

Suzana Mafra disse...

até eu mergulharia neste poço-poema, antes deslizaria as mãos pelo veludo do limo.

nossa: um poema melhor que o outro

obrigada pelas visitinhas ao borboletras.

muito legal nossos livros em Paris

da próxima vez me escondo na orelha

e feito o sapo da festa no céu

desço no salão de paris é uma festa

Bjos

Í.ta** disse...

Ah, claro, vi a notícia dos livros seu e da Suzana em Paris. Parabéns ao dois!!

Poço lembra-me "O anjo rouco", do Paulo Venturelli. Leio este livro com a guriada da 6a série. Gostam muito!

Parabéns por mais um estupendo poema!

Vai lá no www.germinaliteratura.com.br que tá a resenha do "Aço e Nada", em seu tamanho original.

abraço grande,
Í.ta**

Lorreine Beatrice disse...

Rubens,
Fiquei muito contente com sua visita no Pequenas Conversas, que é tão despretensioso - quase um exercício de desabafos e devaneios...
Estou curiosa para conhecer Aço e Nada, vi a resenha do Ítalo sobre o livro que me deixou ainda interessada.
Obrigada e abraços! Lorreine Beatrice

Pedro Pan disse...

, entre rãs desastradas e olhos que verdoem o poço...
, agradecido pela visita em quimeras. volte quando desejar.
, abraços meus.

Alessandra disse...

adoro poços! adorei esse aqui, onde me vi rã e menino. Bjs

"(...)" disse...

... as poesias fotográficas de Rubens.

- Salve!

Débora Piacesi disse...

E o espelho d´água altruística-se...

Guilan disse...

o menino narcisa-se.
o adolescente narcisa-se
o adolescente flerta com o suicídio.
o adolescente sente sede.
o adolescente apenas observa o poço
as águas escuras que dizem pouco
mas te fazem pensar muito

e o adulto enxerga o quê?

não sei dizer!

Rubens! Parabéns pelo poço! Imaginei-me debruçado nele (sem cuspir) observando o fundo hostil, às vezes jogando uma pedra, ou de vez em quando um tijolo pra torturar a solidão.

Ei, aproveite e passe no meu blog também! Desenvolvi um pouco mais aquele trecho 4 que você comentou!

abraços!

eremita disse...

hospedo-me e, se me permite o amigo, ajoelho junto ao poço e fico a narcisar-me menino. ou com o menino.
Espero que tenha tido uma boa Páscoa ou feriados, consoante...
Tem um desafio lá no Eremitério. Conto consigo.
Fraterno abraço

Camila Pimenta disse...

belas palavras... imagem... bjos poeta

Valéria disse...

"Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo" caio fernando abreu...
vir aqui poode ser, por vezes, olhar poços...
beijo