29 janeiro 2008

Rir

1
meu riso é uma escora
sustenta-me

eu sou da escória
contento-me
em mostrar os dentes

e seguir firme e falso

2
teu riso é grave
gravata de medo

tu és Deus
e como tal
deve padecer de seriedades
para obter respeito

3
seu riso é punho
antônio
joão
josé
ele é homem
e não sabe

4
nosso riso é risco
juntos sementeamos
juntos caímos entre os espinhos

5
vosso riso é testemunha
delata alturas nunca vistas

sois carne forjada
é um peso a ser tirado das costas

6
seus risos são ruas
fecham-se curvos

estiagem vazia de sentido


® Rubens da Cunha

17 comentários:

alice disse...

seis estrelas, rubens. uma constelação :) boa tarde.

Pimenta disse...

sombrio e brilhante!!! bjos Rubens, espero vc um dia por aqui... até

Edna Battaglini disse...

Querido amugo

antes de mais nada, deixo aqui meus agradecimentos pelo livro, fiquei simplismente encantada, ontem qdo o recebi ouvi o interfone, e qdo fui ao port�o n�o tinha ningu�m...achei estranho, percebi um pacote em cima de uma floreira misturado as flores vibrantes que l� tenho, e quando abri...era seu livro! me emocionei,
achei maravilhosa sua condu�o das letras e emo�es, da breve "olhada" curiosa, e estou saindo de f�rias e ele encontra-se j� na minha mala, ser� minha leitura dos poucos dias de descanso que terei.
agrade�o, de cora�o
--

(n�o pude deixar de achar gra�a do seu coment�rio l� no meu "ninho po�tico" em saber que a "sua" borboleta n�o teve a mesma sorte que a minha.) ;{

abra�os,
--
esse poema "rir" na realidade � o pr�prio cotidiano, que segue tecendo dores e ef�meras alegrias
(quantas e quantas vezes sem sentido)

Edna Battaglini disse...

desculpe os erros, meu teclado está travando!
abraço

felipedamo disse...

bah, muito bom esse. não há nada mais assustador que uma risada mesmo.

o endereço é:

R. Otávio Cesário Pereira, 1452, Bairro São Vicente - Itajaí - SC
88309-301

CeciLia disse...

Meu riso é âncora
escora
amparo.
E mais o riso
de todos
estes
que te ilustraram
o poema.

Abraços. Levo Aço e "Tudo" para o carnaval. Depois te digo.

alex pinheiro disse...

De riso em riso, rimos, vez com graça, vez sem sentido...
...
Bela composição verbal, Rubens... Vlw!

Abraços e sutis invenções!

isabel mendes ferreira disse...

que TALENTO!!!!!!



Rubens.




obrigada.

Vanildo Danielski disse...

poesia sinuosa, prenhe de sensações e idéias e magnetismo de mentes.
parabéns

maria disse...

muito bonito, como tudo o resto que tive a sorte de ler.

Débora disse...

Muito bom.
Mas padecer de seridades é muito triste, que seu sorriso se aproprie da infância...

anjo disse...

eu, tu, ele, nós, vós, eles:
rimos. pois não há muito mais que possamos fazer. (e rir de nós mesmos é nosso primeiro dever).

parabéns. ótimo.

Í.ta**

Guilan disse...

os risos de que fala não são ruas sem saída, pelo menos.

mas o riso esbofeteia, ardido.

katherine funke disse...

risos inspiram menos poesias que lágrimas - por que será?

*

obrigada pela visita lá e por me incluir como "fazedora de mistério" aí ao lado -

abçs.

Priscila Lopes disse...

Você se supera, Rubens!

Deixe-me perguntar, cê conhece o mineiro Ronaldo Werneck? Tive contato com ele assim como ocorreu com você e agora acabei de ler seu livro de poemas "Doris: day by night". Super recomendável, Rubens. Dê uma pesquisada por aí; a apresentação também é excelente.

E quando você vem pra cá tomar um chopinho com a gente?

Abraços!

isabel mendes ferreira disse...

nunca tão belo lá...como aqui...Rubens.




beijo.


grato.

TMara disse...

hoje, sim, hoje, mais hoje e espero k menso amanhã, necessito do riso,m de risos k quebrem o silêncio, mas nestes teus múltiplos e belos "RIR" encontrei não só risos, mas tmb águas k escorrem do lado do olhar.
Fico com o 1º.
Nele me
encontro pq me retrata sem saberes.
Podemos vestir a pele uns dos outros sem nos conhecermos.
Só pq existimos no mm espaço tempo e na mm espécie.

Bjs
Luz e paz.
P.S - levo o poema comigo - só o - qq dia coloco-o mas então aviso-te.