Meninas cantoras, por favor, aprendam como se faz...
ouçam, enquanto o poema não vem...
31 outubro 2010
25 outubro 2010
19 outubro 2010
15 setembro 2010
Crasso
0 corpo violentado no fogo
a cópula desdentada entre capins
os mastins catingando esteiras
a vida esfregando-se na morrinha cotidiana
aqui dentro os porcos chafurdam
fossem serpentes, fossem cavalos, rinocerontes
mas porcos e seu olhar vesgo
sua cambaleante banha e brancura
não tenho escolhas
só escolhos
levarei meus porcos à beira-mar
a cópula desdentada entre capins
os mastins catingando esteiras
a vida esfregando-se na morrinha cotidiana
o sol lá fora, dizem
azul lá fora, preconizam
azul lá fora, preconizam
aqui dentro os porcos chafurdam
fossem serpentes, fossem cavalos, rinocerontes
mas porcos e seu olhar vesgo
sua cambaleante banha e brancura
o sol lá fora, dizem
azul lá fora, preconizam
ouço as vozesazul lá fora, preconizam
não tenho escolhas
só escolhos
levarei meus porcos à beira-mar
05 setembro 2010
Vittório
a nudez me deflora
meu pau em estado vegetativo desarma a pouca hombridade que me resta
o reumatismo evidencia a ruptura
os rompantes duros de antanho são memórias
histórias inaptas ao devir
tenho medo e silêncio
nesse domingo fragoso
tenho vísceras presas
no quarto de banho
tenho carregosos espasmos quando nu
sei de meu corpo desinchado
dos poros ocos
das pleuras e cardiopatias
desse retumbar por dentro
entre catingas: boca estômago intestinos bexiga pés sovaco
tudo exala a violência incolor da morte
porta de vidro para o invisível
meu pau em estado vegetativo desarma a pouca hombridade que me resta
o reumatismo evidencia a ruptura
os rompantes duros de antanho são memórias
histórias inaptas ao devir
tenho medo e silêncio
nesse domingo fragoso
tenho vísceras presas
no quarto de banho
tenho carregosos espasmos quando nu
sei de meu corpo desinchado
dos poros ocos
das pleuras e cardiopatias
desse retumbar por dentro
entre catingas: boca estômago intestinos bexiga pés sovaco
tudo exala a violência incolor da morte
porta de vidro para o invisível
23 agosto 2010
Eu não sei muito bem pra que serve e nem como funciona, mas agora tô brincando de Twitter também. http://twitter.com/rubensdacunha Sigam-me os bons que todos seguirei também...
18 agosto 2010
ando tão audaz. tão andaluz que nem acredito. ando tão saído. tão saudável que as palavras saturnam-se para manterem-se vivas. ando preocupado com esses sois internos destruindo o mofo. aquela agoniaculpadesgraça que revestia meus tecidos epiteliais e que fazia em mim um inverno particular está primaverando-se.
será que serei um desses velhos excursionáveis?
será que serei um desses velhos excursionáveis?
11 agosto 2010
Caros:
eu e Marco Vasques estamos selecionando trabalhos para o primeiro número da revista de literatura e arte Osiris. A revista terá seção de poema, prosa, entrevista, ensaio, crítica, dossiê, artes plásticas, coleção de poesia e teatro. Quem quiser enviar material para o conselho editorial da revista pode remeter para vasques_marco@hotmail.com e rubensdacunha@gmail.com
Abraços
os editores
Rubens da Cunha
Marco Vasques
22 julho 2010
o teclado do computado_ sem e__e
ele não sabe o que faze_
ele olha pa_a seu nome
_ubens
fica est_anho
estanho mesmo
sua lingua p_esa
pesa ago_a mais sem o e__e
é um pa_adoxo:
a esc_ita esvazia-se
a fala engo_da
um engodo qualque_
de quem não tem o que fala_
nem esc_eve_
no dia em que
o _ato _oeu a _oupa do _ei de _oma
ele não sabe o que faze_
ele olha pa_a seu nome
_ubens
fica est_anho
estanho mesmo
sua lingua p_esa
pesa ago_a mais sem o e__e
é um pa_adoxo:
a esc_ita esvazia-se
a fala engo_da
um engodo qualque_
de quem não tem o que fala_
nem esc_eve_
no dia em que
o _ato _oeu a _oupa do _ei de _oma
01 julho 2010
dentro do joelho
no entre as virilhas
na cova umbigo
talvez na quinta vértebra
entre um e outro ouvido
no prepúcio
calcanhar
dedos da mão
pelos da cara
no curvo coração
ou no reto
no diafragma
ou na testa
sob a pápebra
atrás da retina
vasculhe, vasculhe
esvazie as veias se preciso
limpe o intestino
os rins
o fígado
a glote
vigie o tutano
os nervos
vasculhe, levante
sacuda, abra
pulmão
testículos
próstata
sola do pé
não desista
insista, vasculhe
perscrute
que é palavra melhor
que está em algum lugar
não cague
não cuspa
não vomite
não retire
ceras
ramelas
os sem nome do nariz e dos baixos
deixe tudo dentro
até encontrá-lo
quando acontecer
extirpe
rasure
e o abandone ao próximo corpo
no entre as virilhas
na cova umbigo
talvez na quinta vértebra
entre um e outro ouvido
no prepúcio
calcanhar
dedos da mão
pelos da cara
no curvo coração
ou no reto
no diafragma
ou na testa
sob a pápebra
atrás da retina
vasculhe, vasculhe
esvazie as veias se preciso
limpe o intestino
os rins
o fígado
a glote
vigie o tutano
os nervos
vasculhe, levante
sacuda, abra
pulmão
testículos
próstata
sola do pé
não desista
insista, vasculhe
perscrute
que é palavra melhor
que está em algum lugar
não cague
não cuspa
não vomite
não retire
ceras
ramelas
os sem nome do nariz e dos baixos
deixe tudo dentro
até encontrá-lo
quando acontecer
extirpe
rasure
e o abandone ao próximo corpo
16 junho 2010
reverberam em mim pedras, anzois, aguilhões
tenho erros e vísceras,
tenho materia mas me faltam penhascos
é o medo de ficar oco
de partilhar sombras e rasos
sou um mamífero,
melhor, inseto,
melhor, peixe qualquer dentro de um rio poluído,
daqueles que geram admiração nos passantes:
param a beira do rio e pronunciam:
pobrezinho, nada feliz no rio que imundamos.
Dou saltinhos por sobre a água
e agradeço à breve contemplação humana.
tenho erros e vísceras,
tenho materia mas me faltam penhascos
é o medo de ficar oco
de partilhar sombras e rasos
sou um mamífero,
melhor, inseto,
melhor, peixe qualquer dentro de um rio poluído,
daqueles que geram admiração nos passantes:
param a beira do rio e pronunciam:
pobrezinho, nada feliz no rio que imundamos.
Dou saltinhos por sobre a água
e agradeço à breve contemplação humana.
02 junho 2010

O beijo que me deram trazia dentro um pranto, um toldo verde, argúcias. O beijo que me deram fez-se permanência, astuta enzima por dentro da boca. Cuspo fora o beijo que me deram. Talvez ainda reste algum tempo de espera, algum tempo para ficar diante do espelho sonâmbulo. Tenho a boca macerada pelo beijo que me deram. Tenho a memória massacrada também: primeiro a mão espinhando a cintura, depois o calor, depois a boca dizendo-se água e vazando sobre mim. Depois a solidão crivada.
Sou um homem triste com um beijo entravado, entrevedo, na mucosa.
Sou um homem triste com um beijo entravado, entrevedo, na mucosa.
Ilustração: Pablo Picasso
19 maio 2010
Ciúme
O rosto do ciúme foi moldado
em escuridão, víbora e ofensa.
Não existe artesão capaz de criar
tal espécie de ordem: tão escudo,
tão cristal, tão imersa nos fantasmas
da beleza, tão pressa ou precipício.
Deter-se neste rosto: remoer-se
como se fosse carne nos açougues.
Atar-se ao pescoço da discórdia:
corda intumescida no desprezo
de todo o tempo ser quase inocente,
quase sempre débil nos levantes
que o amor orquestra, antes de morrer
no exílio infalível do esquecimento.
11 maio 2010
01 maio 2010
Sem anestesia
- ... ele disse que tava doendo.
- E precisava fazer isso?
- Mas... ele disse que tava doendo.
- Tá! mas não tinha alicate, chave inglesa? Qualquer merda para arrancar esse dente?
- Nós tentamos, mas o alicate não coube na boca, aí ele falou: “corta”...
- E você cortou? Tá maluco?
- Mas ele pediu! Eu ainda perguntei: tem certeza?
- E ele respondeu o quê?
- Bem, se ajeitou aqui sobre este tronco e falou: “Pode meter o machado no pescoço”
- E precisava fazer isso?
- Mas... ele disse que tava doendo.
- Tá! mas não tinha alicate, chave inglesa? Qualquer merda para arrancar esse dente?
- Nós tentamos, mas o alicate não coube na boca, aí ele falou: “corta”...
- E você cortou? Tá maluco?
- Mas ele pediu! Eu ainda perguntei: tem certeza?
- E ele respondeu o quê?
- Bem, se ajeitou aqui sobre este tronco e falou: “Pode meter o machado no pescoço”
19 abril 2010
O vaso
Distraído sempre foi. Naquele dia não. Viu uma bola de barro cair, olhou para cima e, graças a Deus, parou. O vaso estatelou-se na sua frente. Ainda procurando quem foi o desgraçado, só ouviu da janela do quarto andar um peloamordedeusmoço, esperaqueeuvouaí, esperou, a dona veio esbaforida, pedindo desculpa, bateu no vaso sem querer, tentou pegar, não conseguiu,
Machucou? Tem certeza? Sobe para tomar água com açúcar.
Aceitou, subiu, A moça trouxe água com açúcar,
Me chamo Maria e você?
João, João Jesus de Deus,
Por isso tão protegido,
Mora sozinha?
Só eu e Deus,
Não seria bom mais um Deus por aqui?
Maria nunca mais derrubou vaso algum da janela.
Machucou? Tem certeza? Sobe para tomar água com açúcar.
Aceitou, subiu, A moça trouxe água com açúcar,
Me chamo Maria e você?
João, João Jesus de Deus,
Por isso tão protegido,
Mora sozinha?
Só eu e Deus,
Não seria bom mais um Deus por aqui?
Maria nunca mais derrubou vaso algum da janela.
12 abril 2010
Enquanto o poema não vem
um pouco de crítica social. Video encontrado no fundamental Vivo na Cidade
Classe Média, por Max Gonzaga
Classe Média, por Max Gonzaga
07 abril 2010
Voz de Mulher
para acompanhar a minha cronica crônica "Cantar é um atravessamento" que vocês podem ler Aqui
Edson Cordeiro canta a música de Sueli Costa e Abel Silva
Edson Cordeiro canta a música de Sueli Costa e Abel Silva
19 março 2010
Rins
Fincou dois pregos nos rins.
É um pouco de comiseração, um pouco de estética, me disse.
Passo a língua em suas costas.
É um pouco de ferrugem, um pouco de culpa, lhe digo.
E nos amamos crucificados.
Cristos desnudos sob o olhar dos cachorros da família
Finjo não perceber que a frieza do metal me perturba os mamilos, a boca,
o aparelho de meus dentes, meus olhos não pregados.
Ri. Pede mais um pouco de atenção e saliva.
Mistura aqui com esse sangue, me diz.
E se espreme, se exprime em carne viva, bem onde os pregos entraram.
E me filtra com seus rins pregados.
Vou fazer falta, ameaço.
Ri.
O mijo morno adorna os cantos da cama.
Cárcere líquido.
e dormimos, púrpura, azul,
vazio.
No lugar dos rins, feijões.
É um pouco de comiseração, um pouco de estética, me disse.
Passo a língua em suas costas.
É um pouco de ferrugem, um pouco de culpa, lhe digo.
E nos amamos crucificados.
Cristos desnudos sob o olhar dos cachorros da família
Finjo não perceber que a frieza do metal me perturba os mamilos, a boca,
o aparelho de meus dentes, meus olhos não pregados.
Ri. Pede mais um pouco de atenção e saliva.
Mistura aqui com esse sangue, me diz.
E se espreme, se exprime em carne viva, bem onde os pregos entraram.
E me filtra com seus rins pregados.
Vou fazer falta, ameaço.
Ri.
O mijo morno adorna os cantos da cama.
Cárcere líquido.
e dormimos, púrpura, azul,
vazio.
No lugar dos rins, feijões.
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