05 setembro 2010

Vittório

a nudez me deflora
meu pau em estado vegetativo desarma a pouca hombridade que me resta
o reumatismo evidencia a ruptura
os rompantes duros de antanho são memórias
histórias inaptas ao devir

tenho medo e silêncio
nesse domingo fragoso

tenho vísceras presas
no quarto de banho
tenho carregosos espasmos quando nu
sei de meu corpo desinchado
dos poros ocos
das pleuras e cardiopatias
desse retumbar por dentro
entre catingas: boca estômago intestinos bexiga pés sovaco

tudo exala a violência incolor da morte
porta de vidro para o invisível

7 comentários:

Í.ta** disse...

que cenário, rubens!

e o nome/título que vem para contradizer, quem sabe.

grande abraço!

Elimacuxi disse...

Ai Rubens!
"tudo exala violência" nesse poema.
Por que é que eu gosto?
Vc e essa sua capacidade de me fazer querer cortar os pulsos!
Um abraço!

Fátima Venutti disse...

Querido, saudade...

E Quando ela vem dilacerando, faço um pouso, incógnita, nesta tua "paragem". E me reconforto e energizo da beleza e profundidade da tua obra.

ISso é bom demais!

BEijos em sua alma, poeta!

Maeles Geisler disse...

nas úlceras cheias de saliva
acompanho a valsa.
língua espumando.

sua obra é bela!

bjs...

saudades

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Bueno.

Poemas do Jorge Jacinto disse...

Parabéns, muito impactante! Abraços, Jorge.

pedro disse...

Excelente, Rubens, assim como teus crassos porcos.
Fico contente.