15 setembro 2010

Crasso

0 corpo violentado no fogo
a cópula desdentada entre capins
os mastins catingando esteiras

a vida esfregando-se na morrinha cotidiana

o sol lá fora, dizem
azul lá fora, preconizam

aqui dentro os porcos chafurdam
fossem serpentes, fossem cavalos, rinocerontes
mas porcos e seu olhar vesgo
sua cambaleante banha e brancura

o sol lá fora, dizem
azul lá fora, preconizam

ouço as vozes
não tenho escolhas
só escolhos

levarei meus porcos à beira-mar

17 comentários:

Christiano Scheiner disse...

uau! é o que digo: belo poema, bela visão íntima, entregar dentro enquanto fora é azul, preconizam... um forte abraço! obrigado por isso

Záia disse...

Lembrei dos porcos do evangelho. Lá eles são levados ao mar possuídos por uma "legião" e se precipitam do rochedo morrendo afogados. Os porcos aqui provavelmente não terão o mesmo fim, mas os escolhos são sempre perigosos!

abração Rubens

Ricardo Valente disse...

Gostei, bastantão!
Abraço

Robson Araújo disse...

escolhas e escolhos...belo jogo de palavras

Cássio Amaral disse...

A construção do seu poema é muito boa! Gostei do fim, quando você mata o poema com a imagem dos porcos. Lembrei do disco do Pink Floyd, que tem os porcos no ar, no fio de televisão.
Maeles leu seu texto pra mim, que você faz referência a Paulo e Fernando. Fiquei pensando se era a Paulo Leminski e Fernando Pessoa. O texto é Céu de Cocaína parece-me.
Nós vamos nos casar dia 29 e a festa é dia 3O. Você está convidado, venha na festa se não puder no casório q é só no cartório.
Muita luz e saúde.
Grande abraço.

Maurélio disse...

Em 3 de outubro vamos conduzir aos escolhos a maioria política que chafurda na lama.
O curso terminou: já está batendo a saudade.
Até o lançamento do livro Rubens.
Abraços
Maurélio

Mara faturi disse...

E o que mais dizer??!!
Gostei imensooooooooooo!!
Bjos

Olhar o mar disse...

E os peixes, morrendo de medo, dirigem-se à sede da sua santidade e imaginação e tornam-se carne, de banhas enormes e sentidas que se aproximam das máquinas poderosas do tempo, sem alma, só carne, intensidade e frustação...por nascerem em pecado, na beira-mar

Cássio Amaral disse...

Rubens,

Meu email é:

camal567@gmail.com

Eu e Maeles estamos te esperando aqui em casa, quando você puder vir nos visitar.

Estive outro dia em Floripa com meus cunhados, mas foi rápido.

Vamos fazer um sarau aqui, na biblioteca para uivar uns versos nossos e do meu último livro que restaram 30 exemplares.

Quero participar da Revista Osíris.

Abração.

Aline Patrícia disse...

Intimista, corajoso. Gosto disso, poesia selvagem, assim como todos somos em estado bruto...

Tod(as) palavras disse...

muito intenso...forte e com uma linguagem maravilhosa. grande abraço.

Maeles Geisler disse...

passei por aqui...

faltam-me palavras
que elas fiquem ali escondidas.


bjs
maeles

Wilka disse...

"O sol lá fora,dizem" só se for fora mesmo porque aqui dentro mim a escuridão anda reinando, aiai.
Você é visceral e escreve com agressividade, sei lá, só sei que gosto.
:)

Cássio Amaral disse...

mano,

você entendeu errado, ou eu falei errado. nosso casamento é dia 29 de outubro agora às 16:30 no cartório aqui em barra velha-sc.

abraço. muita saúde e luz. "força sempre"

Carlos Alberto disse...

"Levarei meu porcos à beira mar" foi muito bom.

Camila de Souza disse...

Pois você tem mesmo moral para falar sobre subverter clichês...

Preciso guardar essa comigo quando tocar no assunto.

Abraço, mestre Rubens!
Camila

Cássio Amaral disse...

rubens, silvana guimarães e mariza lourenço publicaram meu livro inédito de haikais "enten katsudatsu" na germina literatura, depois por favor dá uma olhada lá nos e-books da germina.

quero te pedir um favor, me manda seus textos que são publicados no jornal no meu email:

camal567@gmail.com


abração.