16 junho 2010

reverberam em mim pedras, anzois, aguilhões
tenho erros e vísceras,
tenho materia mas me faltam penhascos

é o medo de ficar oco
de partilhar sombras e rasos

sou um mamífero,
melhor, inseto,
melhor, peixe qualquer dentro de um rio poluído,

daqueles que geram admiração nos passantes:
param a beira do rio e pronunciam:
pobrezinho, nada feliz no rio que imundamos.

Dou saltinhos por sobre a água
e agradeço à breve contemplação humana.

14 comentários:

Í.ta** disse...

tu
e
os
animais.

fantástico.
sempre.

abraço!

CeciLia disse...

Engano poético:

A ti
não
faltam
penhascos
lonjuras
espessos
dentros.

Belo poema, caro!

CeciLia

douglas D. disse...

nós, os homens ocos
porque de sombras alimentados
nem bichos nem coisas ou memórias
aqueles que crescem parindo silêncio
[longe...bem longe]

douglas D. disse...

acabo de postar pra você lá nomemórias. obrigado pelas imagens que arrancas em mim.

douglas D. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
clotilde zingali disse...

seu imperfeito maravilhoso :) vamos escrever projetinho esse findi?

Camila de Souza disse...

Gostei do que li, mestre Rubens.

Abraço,
Camila
ilimitada-mente.blogspot.com

Elimacuxi disse...

Sou um desses humanos que passam
a observar teus saltos de peixe.
Sobreviventes
todos
e não imunes
ao (i)mundo.

Abraço amazônico, por hora em sampa.

Maeles Geisler disse...

agradeço à natureza
por permitir essa passagem...
e aos peixes toda a glória!!!

Beijos
Maeles

LEANDRO LUZ disse...

É realmente o medo de ficar oco... às vezes pareço viver num mundo de mundos ocos... talvez eu habite o oco. O que há no centro do oco?
Adorei o blog...
adoraria uma visita sua ao meu:
www.escorpiaodesois.blogspot.com

Dani da Gama disse...

é tão urgente ter penhascos...!
lindo verso!!! uma tarde tão mais iluminada depois de visitar suas paragens...!

Willians Rodrigues disse...

O salto sem penhascos, a jornada de um bicho, em meio aos restos "civilizados", a vida dos peixes e outros animais é de acordo com a nossa, somos o reflexo do mundo, seja oco, sujo ou tolo, mas como o bom filho volta a casa do pai, um dia a merda volta, aí só lamento por todos.

Wandola disse...

Muito bom..

Maurélio disse...

Fantástica sua poesia Rubens.
Abraços