08 julho 2008

Nádia e as abelhas

Nádia, nua sob eucaliptos,
tenta ler os poemas de amor
que ganhou na noite anterior.
Antes de desdobrar as folhas amassadas,
os seus olhos são cobertos por abelhas.
Nádia, nua e teimosa,
insiste na tentativa de ler.
Esquiva-se e nem se percebe colméia futura.
Três dias depois, vestida de abelha,
Nádia não tem mais olhos, mãos,
língua de ler poemas.
Toda mel e asa, apenas imagina
um possível verso escrito por seu amado:
"bolha de sabão derrota o silêncio"

6 comentários:

Fernando Rozano disse...

extraordinário, Rubens, poesia que pode muito bem ser um miniconto tamanha a riqueza de seu conteúdo/história. para ser guardado. grande e fraterno abraço.

Fa menor disse...

Vinda do Eremitério,
passei para te conhecer.

Boas metáforas!

Bjs

Enzo Potel disse...

lindo Rubens, uma das melhores coisas que já li por aqui.
amei o formato. me lembrou o do meu poema "Sozinha entre os pés de maracujá", lá do comecinho do conto de fraldas...
abraçon

Enzo Potel disse...

lindo mesmo o meu poema ou o seu?! kkkk

sabia que o Andes tem um dedo seu? eu tava andando pelo seu blog e li um texto de forma errada, começava mais ou menos assim: "são andróginos os minutos que passo diante do espelho."

eu li "andinos", aí escorregou o Andes!
abraçon

Jacinta Dantas disse...

Passeio pelo poema me imaginanando Nádia, sendo abelha, sendo mel...
essência de vida que vive em todo o Ser.
Um abraço

Ricardo Valente disse...

Simbiótica, Nádia-Abelha deve jorrar mel... hehehe. Nem precisa mais um parabéns. Tá muito show!!! Abraço.