12 julho 2008


Manhã clara
no Estreio de Hormuz.

O calígrafo eremita Abdul-Samad,
pela última vez,
grafou o caminhar na pedra.

Entrou no mar
até que a água lhe chegasse ao pescoço.


Gritou-se vazio, renunciado:
- aqui finco meus pés
o resto do corpo
entrego a ti, Alláh!

Depois disso,
as manhãs ficaram bem mais claras
no estreito de Hormuz,

porque
banhadas em sangue e entrega
para sempre

4 comentários:

enzo potro disse...

Rubens.. putz.. que boa fase.. esse ta foda também.

Valéria disse...

adoro. manhãs claras e entregas.
um beijo

Fernando Rozano disse...

um texto límpido e de rara beleza interior. escrita primorosa, Rubens. abraços.

Corso disse...

bah...
gostei tbm...

abrasss