29 outubro 2015

Sabor

É manhã de uma quinta-feira qualquer na Praça Carlos Gomes.
Ela veste-se de azul.
O vestido cobre as pernas mas não o colo, nem os braços. O rosto sério investiga os passantes.

Fuma.

Lembra-se que lhe ensinaram a elegância do fumar.
As pernas cruzadas, a espinha ereta, a mão à altura do rosto, os dedos médio e indicador segurando o cigarro, levado lentamente à boca.

Traga a fumaça, deixa-a alguns instantes dentro do pulmão.

Solta a fumaça.

É seu jeito de dar algum sabor a essa manhã insossa.

2 comentários:

Hélio Nogueira Cardoso disse...

Gostei do fato de você ter personificado a praça. A minha interpretação é que ela está vestida de azul nessa manhã por que é calma e bucólica, porém é triste neste dia de semana em que todos devem estar indo a seus trabalhos. Ainda sim só se cobre as pernas, pois está de braços abertos para receber quem quer que quiser vir a ela. E quanto ao fumo, chuto que seja o orvalho da manhã, que dá alguma alegria e elegância à solidão dessa praça.
Muito bom. Como gostas de poemas, creio que vais gostar deste blog: deliberacoes.blogspot.com
Ele tem poemas e contos bem criativos kkk. Bem, deixo meus parabéns é um bom feriado.

Rubens da Cunha disse...

Obrigado Helio,