20 abril 2012


A carne do passado é amarela transparência.
Repousa entre rusgas, coices e outros espinhos.

É uma carne incorpórea
- não morta -
pois que se abrasa na memória, na construção diária do ninho.

A carne do passado é escassa e por isso ouro,
fino ornamento do desejo no centro cercado de escuros.

A carne do passado reluz, avessa ao esquecimento.

Sabe que em sua pele sempre habitarão pássaros:
- os longos pássaros do futuro -

3 comentários:

Elimacuxi disse...

Rubens,
Adorei o poema, pois fuço a carne do passado sem pudor, embriago-me com seu cheiro e com sua pútrida matéria, afinal, sou historiadora...
beijo!

Lisa Alves disse...

Carne, para quê, se viro pó! Poema visceral o dentro e o fora da matéria.

Profª Rosilda disse...

Bastante imagético seu poema, cadenciado e primoroso. Um salve ao talento!