30 julho 2011

Minhas mulheres

no corpo de minhas mulheres
um oco baixo me acontece
a milhares de anos e léguas

minhas mulheres são medusas
talvez até fossem éguas se me permitissem a rima

minhas mulheres são granfinas
suas orelhas permanecem virgens a insultos

se lhes digo putas ouvem dálias
se lhes digo cadelas ouvem mar
e olham-me com carinho, como se de carinho fossem feitas

minhas mulheres rarefeitas em miséria, em virilhas
novilhas cruciadas
carnadas para meu prazer de homem

tenho remorso por comer minhas mulheres
sem lhes temperar, sem dizer que tudo não será abandono

que o dia seguinte é um útero
um vórtice de carne e travesseiro

e que talvez suas orelhas virgens possam entender, atender a ligação

6 comentários:

Elimacuxi disse...

a carne
crua
a vida
cruel

Darla Medeiros disse...

Se apenas a palavra é dada... imaginação..
Se o instante transforma-se em vida... corre nas veias algo de mim... algo de ti... algo do que seríamos nós... sem que agridam as palavras, sem que se condene os gestos... há ali apenas o fato de que dois já foram um e hoje é dividida novamente a alma e entregue a carne crua...

Maeles Geisler disse...

....granfinas...virgens a insultos...ehehehe, ficou até engraçado. Saudade das suas poesias.
Abraço
Maeles

Cássio Amaral disse...

Imagens bem densas e interessantes.

Braços.

Cacau Riot disse...

oi
adorei o seu blog
me segue ? , estou te seguindo
escrevo poesias e crônicas
enfim , coisas q precisamos simplismente vomitar
se vc quiser eu divulgo vc no blog ,
bjos

http://anaomenstruado.blogspot.com/

Graziela disse...

bah! gostei muito... Parabéns Rubens, adoro entrar aqui no teu blog.

Grazi