08 dezembro 2006

Alice no país das maravilhas

meu país de vidro
vibra dentro
fibra de fumaça
vento

faz tempo que palavras sangram
periferias
enchentes
vazantes

meu país de amplitudes
ácida desventura
sobre a gente ameríndia

despontos cardeais
entortam bússolas

no centro a capital ilha-se

nas margens a vida escorrega

meu país de intransparências
ferve febre nudez natalina

é verão sob linhas imaginárias

banhemo-nos

Rubens da Cunha

2 comentários:

adelaide amorim disse...

um belo poema, Rubens, e um blog dos bons. Abraço pra você.

anjo disse...

"faz tempo que palavras sangram
periferias
enchentes
vazantes"

aqui eu me encontro nos seus versos, novamente (como sempre).

Maravilhoso.
Abraço
Í.ta**