10 março 2006

Infância

Eu dei brasas para as rãs confundirem com vaga-lumes e engolirem a luz por engano.
Eu cirurgiei muitas cobras-cegas, eram tão estúpidas.
Eu destruí ninhos e ninhos de anus.
O que fazer se a idade adulta me deu piedades?
Se hoje, espanto mariposas, vespas, formigas do meu açucar,
mas não mato estes incômodos vivos?
Depois de crescido, transferi-me ao ínfimo,
ao universo rasteiro dos insetos e anfíbios.
Agora é Deus quem joga as brasas.
Tenho o esôfago em carne viva.
Sempre acredito que sejam pirilampos.
Ainda tenho certas ingenuidades.
As queimaduras internas eu agüento:
ter carvão no estômago aplaca em muito a fome.
® Rubens Da Cunha

5 comentários:

TMara disse...

ora Deus, qq k seja a designação tem + k fazer. Nós é k criamos braseiros onde ardemos ou deixemosk outros nos queimem. Bj d eluz e paz

Agata disse...

onde expiarei a minha culpa pela morte das cigarras?...penso agora que fui uma menina má...

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Maravilhoso!

Abraços do *CC*

douglas D. disse...

eis uma das que eu queria ter escrito.
abs.

Fabio Rocha disse...

Andas lendo muito Manoel de Barros? :)