
O caminho está ali, ao sol.
O corpo, preso à cadeira,
descomunga qualquer luta.
Desvirtua a eucaristia do futuro.
O que interessa é a preguiça
e seus bichos lerdos.
O tempo não come abismos.
Vomita-os.

Despensa. Desordem.
Na veia: escuros de úmido,
latências,
todos os cantos condoendo aranhas.
Nos dias de domingo,
o esforço diagramado de ser inteiro.
Ignorar o feitio da rasura,
do puído,
do que se locomove entre os baixos.
Instantanear um sorriso.
Aprender a ser anfitrião de desconhecidos.

Atravessar a meia-noite
esperando a estiagem.
O esteio.
O cavalo selado da amargura.
Acompanhar os risos.
Incrementar o riso com uso diverso:
trovão, um ou outro desapego,
toda a madurez das laranjas.
Estar por ali, inseto,
entre o florescer dos ipês
e a morte das avencas.
® Rubens da Cunha: do livro inédito "Casa de Paragens"
Ilustrações: Irene Ann Mills
6 comentários:
cheguei antes de todos enquanto eles ainda caminham para a colheita.
olho a árvore carregada e me desespero
[jb]
as avencas são plantas delicadas que precisam ser cultivadas com cuidado para sobreviverem às interpéries do mundo! nada de excessos... apenas cuidados... na natureza elas brotam fácil, basta lugar propício... mas quando cultivadas em casa... aí precisam de atenção especial...
como as pessoas... como as pessoas...
um beijo
Belo poema Rubens. Gestos miúdos rumando a um abismo quase invisível aos olhos. Bjos.
muito bonito, o que (não) poderia dizer acerca do que li, já lá está, a transbordar...
Olá Rubens!
Muito bom!
Cara, tá profissional mesmo o negócio por aqui... :) Abração e parabéns
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