
Alcides Buss
Alcides Buss nasceu em Salete, Santa Catarina, Formado em Letras, com mestrado em Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina, foi o criador dos Varais Literários; é diretor da Editora da UFSC e Publicou, entre outros, Transações, M.A.L. Edições, 1989; Natural, afetivo, frágil, Edições Athanor, 1992; Nenhum milagre, Editora Letras Contemporâneas, 1993; e Sinais - sentidos, M.A.L. Edições, 1995
Buss é um dos mais profícuos poetas atuais. Vem atuando na literatura desde a década de 70, mantendo um diálogo muito direto e muito aberto com seus leitores. É um ativista da palavra.
Incubência
Descubro meu ser
distante da voz que ordena
e faz, do homem,
sapatos, suor e cansaço.
Descubro-me longe
das leis e mais leis
nascidas por graça dos fortes;
dos mitos plantados
à porta das casas, dos olhos,
das bocas.
Des-
cubro-em perto de mim,
do centro vital que palpita,
do núcleo que é claro
e humano.
Cubro-me
de poucos sentidos
e vasto silêncio: feto
dos anos dois mil.
Do livro: Transação
M.A.L Edições 1994
Sub-Sob, Preceito
Noite vem-vem
moendo farinha de trevas...
No convento, irmãsmente,
uma sasl diz-não-diz,
sencolhe
disfarçando história.
- Êpa! meu desconfiômetro sexaltou!
- Será o que será?... Enfie um olho
no buraquinh da chave
e filme as image's.
A menina não mais pôde
extrair pro mundo
o seu olho - tãoencheu demais.
Suspense:
corações que gemem
no percurso - túnel.
Do livro: Ahsim
Editora Lunardelli - 1976
O Boi e o Homem no Tempo
Boi,
teu espanto é o meu
e na mesma viagem
ficamos.
Serás minha carne,
serei teu destino.
Desatino.
Do livro: O Homem sem o Homem
Editora Noa Noa - 1982
Carne
Descortina-se a carne
à luz da noite,
e sexos entram nos sexos
sem fim.
O prazer salta de lado
a lado no corpo exposto,
fendido,
sonho e matéria em riste,
lançada.
Entre o poste e o mundo
o chão não serve
no medo, nem cabe na grave moral
escondida, enfiada
no fundo dos seios.
O prazer salta na boca,
na língua, nas fibras
de seda;
salta
no baixo estampido
atrás das membranas.
Do livro: O Homem e a Mulher
Edição do autor - 1980
X
O poema é quase nada.
A folha,
o vazio
e alma
Este trio vulgar
já é capaz
de alimentar o sonho
que se faz palavra.
O olho arguto, porém,
impregna o sopro verbal
com o vinho do cálice
distante.

Do livro: Cinza de Fênix & Três Elegias
Editora Insular: 1999
3 comentários:
muito bom! e obrigada pela referência ali abaixo...mas quem gostou de brincar com um poema seu fui eu! um beijo
Gostei dos poemas, principalmente de "O Boi e o Homem no Tempo".
hospedo-me e vou ficar por um bom bocado a ler. A biblioteca é vasta e de boa qualidade. obrigada. Bj de luz :)
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