
Ter aos dentes o riso terminado
ao meio. O siso arrancado por inépcia.
Hemorragia da raiz ao rancor.
Extrair do maxilar a concreção
do afeto: gengiva infecta. Vazio
de boca que esfuge de si qualquer
resto de beijo: epicentro de busca.
Ressentir-se molar ao mastigar
a solidão incisiva do abandono.
No limiar do descaso, quase à morte,
permitir que se espalhem as devidas
negruras da cárie por sobre a cara.
ao meio. O siso arrancado por inépcia.
Hemorragia da raiz ao rancor.
Extrair do maxilar a concreção
do afeto: gengiva infecta. Vazio
de boca que esfuge de si qualquer
resto de beijo: epicentro de busca.
Ressentir-se molar ao mastigar
a solidão incisiva do abandono.
No limiar do descaso, quase à morte,
permitir que se espalhem as devidas
negruras da cárie por sobre a cara.
® Rubens da Cunha
Ilustração: Jorge Salort
Ilustração: Jorge Salort
6 comentários:
Muito forte. Bela síntese de palavras!
Um abraço!
Oi Rubens!
É sempre bom ler o que escreves.
CC.
Como sempre destilando palavras e levando embriaguez ao leitor.
..
..
hábraços
Do que não será capaz a poesia? Transformar em beleza aquele ruído assustador da broca...:-)))
abração, Rubens. Tá cada vez melhor.
Caro Rubens,
Mutio bom, incisivo, dente cravado com afinco. Texto e ilustração perfeitos. Bjos.
O rancor com palavras rígidas que rangem, há uma estética nelas de musicalidade associada ao sentimento - dentes que rangem, carie que corrói, o rancor tem muito r mesmo...hehe
besos,
Mhel
Amei a ilustração - perfeita, soturna
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