05 outubro 2005

O Rancor - 1ª Parte


O rancor é assim: próximo do estômago,
aqui, onde o alimento já depois
molda-se nojo: esgoto que levamos

dentro. Torpor de morto que jogado
à indigência mantém-se preso ao verbo
instável da memória: luto fétido.

O rancor é assim: fúria corrosiva
incendiando de câncer as mais vísceras
que somos, as mais ínfimas tarefas

do costume: cardápio de cegueiras
fechado à fome da insônia. O rancor
é assim: doença que nos entreva ao nada.
® Rubens da Cunha
Ilustração: Jorge Salort

6 comentários:

Fernando Palma disse...

Gosto muito da ousadia de traduzir sentimentos difícies (como o rancor).Gostei do texto, um abraço!

dona estultícia disse...

O rancor é assim, cheio de tnada dentro do tudo. Um beijo!

Helena disse...

uai! visceral este. Demais! A musicalidade dark lembra meu amado AA.
besos Helena

Claudio Eugenio Luz disse...

é, agora você desceu as palavras cheias de rancor.

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

O rancor é mesmo assim.
Gostei do poema.



CC.

Ricardo Mainieri disse...

A poesia se faz de palavras & sentimentos.
Apesar de usar adereços concretos, nunca prescindi do emocional.
Interessante esta tua comparação do rancor como algo remoendo pelas entranhas.Produto que encontra seu destino certo pelo...cano de descarga.(rs)
Devemos nos sujar, tb. com a poesia.Gullar apreciaria isto!

Abração.

Ricardo Mainieri