24 outubro 2005

Filmes


O Coronel e o Lobisomem
Vocês sabem aquelas montagens que se faz com fotografias, usando as melhores partes de cada pessoa? As sobrancelhas de Malu Mader, os olhos de Ana Paula Arósio, a boca de Julia Roberts e o corpo de Camila Pitanga que jamais resultaram num mulherão e sim numa monstrenga. O mesmo vale se a montagem for feita com atributos masculinos. Pois O Coronel e o Lobisomem resultou igual a estas foto-montagens. A melhor parte dos envolvidos no filme não resultou numa obra-prima, e sim num filme arrastado, sem perspectiva. No roteiro: Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado. Individualmente, os 3 são donos de um estilo já bastante conhecido na televisão, teatro e cinema, e que é normalmente excelente. Juntos, não souberam o que fazer com o texto José Candido Carvalho, (não conheço o texto deste autor, mas as falas do filme me remeteram a Guimarães Rosa) diminuiram o humor, arrastaram-se por quase duas horas num vai-e-vem inócuo. No elenco principal: Diogo Vilela, Selton Mello e Ana Paulo Arósio. Diogo fazendo um coronel histriônico, fala uns 50 decibéis acima dos outros personagens, tá certo que era uma das características do personagem, mas cansa muito. Ana Paula, linda, fez uma heroína meio falsa no gestual, no jeito de falar. Mas a grande decepção foi Selton Mello como o lobisomem. O que fizeram com ele? Espero que tenha sido apenas um tropeço e ele volte a ser o que foi em Lavoura Arcaica e Auto Da Compadecida. Por que neste filme tudo nele parece medíocre.
O estreante em cinema Maurício Farias não soube conduzir um roteiro tão sem graça, não soube aproveitar os parcos efeitos especiais, podem ser de última geração coisa e tal, mas em uma cena com uma onça soou absolutamente fake. Falta muito pros brasucas chegarem lá, infelizmente. Mas o pior na direção de Maurício Farias foi fazer seu elenco interpretar um em cada direção. Não há unidade nenhuma. Enfim, um desperdício de talento individual e dinheiro. Para esquecer.

Os Irmãos Grimm

Terry Gyllian tem uma estética própria, muito dentro do "ame ou odeie". Meio termo não funciona muito com ele. Over, barroco, excessivo, é o tipo de cineasta que gosta de colocar tudo dentro da imagem. Com "Os Irmãos Grimm" não é diferente. Meio que reinventado os contos de fada, meio que respeitando-os, Gyllian joga os irmãos falsários numa floresta encantada de verdade. Reis, rainhas malvadas, lobos encantados, bruxas, tudo junto ao mesmo tempo agora como é do gosto do cineasta. O que se vê são alguns sustos, uma ou outra cena de humor, pouquísismo romance e um irônico final feliz. Não muda a história do cinema, (acho que Terry Gyllian sem o Monty Pyton nunca vai conseguir isso) mas não ofendeu a minha inteligência mediana.

2 comentários:

Celso disse...

gostei dos textos, Rubens, não assisti nenhum dos 2 filmes. Como não tenho podido ir ao cinema, tenho visto mais clássicos em dvd. Acho difícil que algum dos Monty
Python consiga sozinho a genialidade do grupo, portanto já imaginava o que você viu no filme de Gillyan.

Amanhão no Cárcere é dia de cinema, tb.

Saudações

Thiago André, o ilhéu disse...

OOOO!!!! Rubens... eu gostei do Coronel e Lobisomem!!!!!
Sobre o texto cheguei a achar que era de guimarães rosa, mesmo....
mas creio que não foi tão ruim assim!!!!!!!!!
eu me diverti!!!!!!!!!!!!

abração