27 setembro 2011

"Sim!
Eu estou tão cansado,
mas não pra dizer
que eu estou indo embora.

Talvez eu volte,
um dia eu volto"

diz uma canção da minha idade.

Venho às portas desta casa para cantá-la
velho que sou
já não entro na casa há mais de mês

ninguém deu por falta, ninguém lamuriou-se com as portas fechadas,
com o veio seco desse velho poeta

um dia eu volto,
com o casaco de general ou de doutor

com a pulhice plena dos achaques à vida, um dia eu volto,

Breton, Bataille, Blanchot - BBB institucional
o que seria de vocês se acaso tivessem uma casa virtual?
o que seria de suas velhices incômodas se raramente entrassem nela, não por que vazia, mas porque o vazio estaria em vocês, mais, c´est vous, nessa sua língua sem ser e estar.

Pronto, mais um passo dentro da casa, mais uma limpeza dos corredores, os cantos ainda sujos, um dia eu volto, um sábado qualquer eu volto para (me) limpar a casa.

7 comentários:

dani carrara disse...

poxa vida!

sou assídua aqui.esta semana mesmo entrei várias vezes. e também sou eleitora do jornal "a notícia" de joenville (morando no interior do estado de sp) por conta das suas crônicas.
mas se uma vez na vida outra na vida vc aparecer e escrever isso:

"...não por que vazia, mas porque o vazio estaria em vocês, mais, c´est vous, nessa sua língua sem ser e estar."

já valeu!

beijão.

Darla Medeiros disse...

Ainda repito como um mantra... A música como um violão, a música como uma poesia... A música da sua idade tem a minha idade e a minha dor e um pouco do desejo do retorno sem porto certo em que se acostar, sem casas que são lares, sem outros que são amores, sem ponto de partida ou universo de chegada... Como dizia a música, eu ainda acredito, mas nem sei em que e toda vez que a sensibilidade grita pelas palavras de outros eu não me sinto mais uma eremita, então... Se isso dura uma vida, se durará mais que isso, só o tempo e estas pequenas sensibilidades derramadas em palavras me ajudam a sobreviver...

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@NoiteDeOutroDia

Elimacuxi disse...

senti
essa ausência presente
não soube do cansaço e enfado
que te botavam longe
distante feito um monge.
Vim para dar meias voltas
inúmeras meias voltas
seca de teus termos
carregando a imagem
desse solene silêncio.

'Bati à porta e não abristes'
onde o dono do espaço?
eu que venho em busca
da sujeira espalhada na sala
voltava atrás com a ausência
do homem que se cala.

mantemos essas casas
para nos vermos
cunha-te, Cunha,
em novos termos
pois sem tua poesia
quase fico sem asas,
quedo enfermo.

Ricardo Valente disse...

A casa apodrece e a gente está fora dela, com ela dentro.

Liza disse...

Eu senti sua falta sim!

Abração!!!

mara paulina arruda disse...

Eu sempre estou por aqui vendo se você veio. Se você deixou alguma toalha nova para enfeitar a mesa do meu jantar.

Steve Finnell disse...

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