22 dezembro 2006

Delírio 2


Logo ali nasce o Filho, meu irmão. Sou igual a ele, rarefeito a milagres de vento. Cimento em maldades, extenuações. Não evitamos a lepra desses dias. Meu irmão nascerá ungido. Dizem que morrerá para a salvação de muitos. Eu finjo acreditar em seus desígnios, eu finjo felicidades, que mais não posso. Foi me dado a palavra, a verve ensangüentada da blasfêmia. Tudo o que eu queria era ser fêmea, virgem, inocente no dia do nascimento de meu irmão. Faz parte de meus agouros não gostar do que sou. Saber que neste corpo transitam vontades irresponsáveis, fetos natimortos, abelhas e ovelhas. Meu irmão nascerá sem chorar. Nosso pai não lhe deu o direito. Nosso pai deveria transferir aos outros filhos este poder. Evitaria algumas incomodações futuras.
® Rubens da Cunha
Ilustração. Ariane Bazin

6 comentários:

Anônimo disse...

Rubens,

Muita paz e saúde. Feliz natal e mais um ano de sucesso em 2007.

Abraço,

UK

Ricardo Mainieri disse...

Rubens :

Face á dificuldade de achar o livro que te prometi, vai uma outra surpresa pra vc.
Aguarde para depois do Natal.
Estou em Torres, curtindo uma praia.
Mereço, né?

Abraço.

Ricardo Maineiri

marcelo disse...

Grande Rubens,
um natalzão desse tamanho, ó...
e um 2007 ainda melhor!
abração!

Anônimo disse...

Oi Rubens!
Parabéns pelo seu site!!!
Feliz Ano Novo!
Abraços

Melissa

CeciLia disse...

Rubens,

belo texto. Cru e real, dentro do espírito. Quem tiver olhos de ler, que (te) leia. Abraços, bom 2007.

anjo disse...

ser filho dEle é foda.
ser irmão de J.C também.

não gosto deles como família.

belíssimo texto!

Í.ta**