17 fevereiro 2006

Sete


Acordo. Olho para o lado, dorme. As costas deslizantes. Se houvesse apenas tato entre nós. Levanto. O quarto vestido com seu olhar: quadros, cinzeiros, lençóis, tapetes, móveis, nada disso tem meu sim. Quando chegamos aqui, este era um espaço de vazios. Suamos tudo. Depois, o suor secou e foram brotando objetos, objetivos, temos que comprar, isso ficaria bom aqui, agora tá como quero. Fecho os olhos, muito dia ainda pela frente. No banheiro, higienizo o que sou.
® Rubens da Cunha
Ilustração: Antony Gormley

5 comentários:

Dona Estultícia disse...

Que honra mesmo ter mesmo que levemente inspirado a série. Vou ficar metida assim...rs. Texto seco, objetivo e no alvo. Ou quase... Bjos
P.S Vc abre a sua e eu fecho a série dos cordeiros lá na Estul.

Claudio Eugenio Luz disse...

Quando algo acaba, o peso da vida torna-se um pouco mais insuportável. Curto, seco e direto. Quero ler o próximo.
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hábraços
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claudio

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Oi!


Muito bom!


*CC*

Mendes Ferreira disse...

fecho os olhos e sou capas de ver-te: LUZ....esta. a tua.


beijo.

Mendes Ferreira disse...

"capaz"....puxa....


:)