26 janeiro 2006

C. Ronald

Livro: Cuidados do Acaso

Amanhece por dentro e a noite continua
a destruição na casca. Ela com seus famintos
vermes em peneirados ruídos de sarcófagos;
e eu como criança. Grito à beira do meu sêmen.

Nele as árvores crescem, o fruto não vem
à toa se muda a paz no meio da folhagem.
Mexe-se no abandono para cair mais tarde
como semente e passa do verde a outras cores.

Um detalhe confiante no todo. Sozinho
é que espera o começo, mesmo apodrecendo.
Tu apodreces também, colhido sem as bocas

que se transformam em gosto. O gosto da mulher
geme apenas no ouvido entre crestadas fronhas.
Desperta-te a confiança e um caracol se estende.

3 comentários:

Alma Om disse...

Como caracol que caminha pela folhagem, aqui venho espreitar... Nesta noite fria. Um encontro com novas palavras, um novo grito... Porque esta voz não se cansa de viajar pelo universo, na desoberta de novos começos... De mãos talhadas para a procura constante.

Dona Estultícia disse...

Repito: [...]e um caracol se estende.
Bjos.

Mendes Ferreira disse...

b.e.i.j.o.