24 novembro 2005

Fazer

Desusado, abuso os céus da noite caída. Um anjo pintado na parede. A verdade traça móveis e livros. Destroça-os. O que não li argumenta-se espera. Espúria conexão com o sonho. Nos rins, um álcool recém filtrado esmorece a oração. Raspo a pintura até chegar no osso. Era um anjo suicida e sem coragem, pediu que eu o matasse. Então, eu fiz a sua morte.
® Rubens da Cunha
Do Livro inédito "Casa de Paragens"

8 comentários:

Mendes Ferreira disse...

(que raiva....que bom...que bem "sentido" e revelado...que...)
bom dia. amei. abraço.

Andrea Motta disse...

Rubens, fiquei aqui conversando com meus botões depois de ler os ultimos posts, sem saber qual comentar, todos são fantásticos! dificil escolher um só. escolhi um comentário genérico para não forçar demais meus olhos que ainda incomodam, mas creia-me se fosse comentá-los individualmente, só poderia dizer-lhe uma palavra tua escrita é Maravilhosa!
Um beijo. Andréa

Claudio Eugenio Luz disse...

Noto que em seus textos as referencias religiosas estão sempre anunciadas. Como nesta narrativa, onde os anjos estão decaídos.

.
belas palavras, meu caro
.hábraços,claudio

Valéria disse...

olhe lá...parece que há mais anjos pintados na parede...
um beijo

Ítalo Puccini disse...

"Raspo a pintura até chegar no osso"... estou quase sem pele já...

mto bom!
e o comentário da Valéria, então, rasteiro, um direto no queijo!

abraço
Íta.

Celso disse...

Excelente, Rubens. Só fiquei me perunando, se me permite a ousadia, se você não teria tentado por em versos. Acho que o formato também se encaixaria perfeitamente.

Saudações do Cárcere

TMara disse...

há muitos anjos suicidas. Por aí se vão. perdidos em caminhos e descaminhos da vida. lindo este teu texto. Bj de luz

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Muito bom!