26 setembro 2005

Cotidiano

São anódinos os minutos que se vê diante do espelho. Um pouco de manhã, antes de entrar no banho. Um pouco depois de sair do banho. Nunca se olha nos olhos, sabe que está lá, mas é refém do fingimento. Depois do almoço, também se vê no espelho, de relance. Não pode se perturbar. De noite, antes do sono, arrisca um olhar mais demorado. Não se reconhece.
Vai para cama feliz.
Escapou mais uma vez.
® Rubens da Cunha

4 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

é dificil encarar a própria consciência. Claro, o jogo do espelho não é real, porém, traduz muito bem as nossas fugas cotidianas.

excelente

Dona Estultícia disse...

Boa fuga! Abs.

jb disse...

PUTAMERDA !

[JB]

Fernando Palma disse...

Legal...escapou de se reconhevcer.
O texto passa uma ideia boa em poucas palavras, gosto disso.
Abraço.