31 outubro 2006

à resconstrução do mundo

I

A mulher que tem artelhos dobrados
telhas na pele
ventos de toda espécie
vendas nos sentidos
não cantarola bálsamos

A mulher que esquenta comida em frigideiras rotas
e traz pés encardidos pelo caminho desuso
e não sabe dos espasmos, (ah! meu deus, e não sabe dos espasmos)
desconhece dedos reentrâncias
desfigura tempo e carne sólida
salga de noite lama
o que lhe é sol campo aberto

A mulher que descuida de seus instrumentos
saliva lágrima vermelhos
corrimentos de perder guerra e visão
não previne futuro
não prevê desertos aquecimentos
desvê
vela inata triste

em nada aguentam os poros
se a mulher torrencia fugas
e não desvela a que veio
veia parcimônia

II
Coragem de grandes luas
virá tempo de exatidão
viragem fêmea sobre
o escombro homem

O galgar das donzelas aptas
Eva Pandora Maria
Lucrécia Catarina Cesárea
trará voragem necessária
à reconstrução do mundo
® Rubens da Cunha


7 comentários:

Saramar disse...

Tristes mulheres, Poeta, e ainda assim cantadas nestes poderosos versos, como um alerta, um aviso.
Perfeito, como todos.

Beijos

Claudio Eugenio Luz disse...

Entre escombros, na ausencia do complemento, quem somos nós?Grande, meu caro.

hábraços

Flávio Machado disse...

Companheiro visitando o blog e registrando que gostei muito do poema.

abs
Flávio

douglas D. disse...

Agradeço o teu comentário lá no vomitando. Tua opinião é muito importante. Este universo dos blogs permite encontros/trocas antes pouco prováveis. Saiba que a tua poesia alimenta-me...e muito. Abs.

Flávio Otávio Ferreira disse...

muito bom...
As mulheres tem o poder de dominar o mundo, ainda não sabem...mas chegará o dia em que realmente terão participação efetiva na "reconstrução do mundo"

Lia Noronha disse...

Rubens; vc conseguiu expressar a mulher...sob diferentes modos.Gostei muito.Vc é mujito talentoso.
Abraços mil

Anatema disse...

¿Somos las mujeres responsables del Universo...?

Estoy segura de ello. Siempre que nos dejen.

Bellísimos poemas.

Saludos.