22 agosto 2006

Da série Animais no poeta - Baleias

Chego em casa. Ela está cômoda e atenção.

"Hoje, mais uma baleia encalhou na praia."

Finjo acreditar em sua naturalidade. Engulo saliva e ódio.

"Por que será que elas encalham? Por que será que perdem o caminho, a rota das águas?"

Não sei resposta.
Um pouco de areia me cobre lábios, laringe, pulmão.
Asfixio.
Ela tenta escapar. Sou forte em cima de uma mulher.

Minhas mãos cumpriram bem o destino de empurrar baleias de volta para o mar.

7 comentários:

Ana Paula Russi disse...

Isso aconteceu mesmo, Rubens?
Um abração da vizinha blumenauense!
AP

Ana Paula Russi disse...
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CeciLia disse...

Que as baleias trancafiadas nos bancos de areia e que os pombos meninos feridos possam seguir livres, na didática que só a história articula.
Belos textos teus tenho lido em silêncio, nos últimos tempos. Parabéns.

Ivã Coelho disse...

Para o homem os desígnios estão traçados mas mesmo deles não tomamos nós consciência. Quem sabe estão, as baleias, destinadas à praia e não entendemos? Um mistério, no mar ou na terra, ronda perfunctoriamente as nossas vidas.

Simples e profundo, seu texto, como as baleias.

Abçs, meu caro.

Ana Guimarães disse...

Baleias ou pombos, curto seus textos, viu Rubens?
Um abraço

Luzzsh disse...

Naqueles dias em que eu encalho (empaco?) agora, já sei quem chamar, rs....Bjs, Rubens.

Claudio Eugenio Luz disse...

Meu caro, é por isso que sempre digo para os meus botões: os editores devem ser cegos, pois, a literatura está sendo feito, e com grande estilo,através dessas geniais narrativas.

hábraços