
Fraco. O amor me faz fraco, eu gritava. Manifesto de vento. Estrume. Eu era um homem que desacreditava falácias românticas, um homem que celibatou-se porque não suportaria sucumbir a um sentimento. Era um homem avesso, tenso, coberto de mesuras e mentiras. Enquanto outros casavam-se, traíam, retraíam, tinham filhos e ex-esposas, eu esquivo, eu lapide sobre qualquer possibilidade amorosa. Isto eu era. As artimanhas. Esqueci-me das artimanhas, das teias orvalhadas, dos atavismos sanguíneos da paixão. Em certo dia, recebi de volta um olhar, um canto de boca vermelho, um todo corpo feito de cama e palavra. Eu sou agora um pasto de madrugada e gozo. Um vasto adeus à fraqueza.
® Rubens da Cunha
Ilustração: Antony Gormley
6 comentários:
Salve, Rubens. Bonito microcroniconto. Há muito sou pasto da madrugada, mas minha traição única é com a palavra. Abraço, meu guru!
Rubens, eu é que agradeço seus comentários, disposições e méritos... este outro bom texto, testemunho da boa fonte. "Pode o semelhante nascer do dessemelhante?", já questionavam os antigos gregos. Um forte abraço!
A solidão nem sempre é sem fim. Denso como uma tempestade. Gosto disso.
hábraços
claudio
Vixe, também já fui assim. Velhas memórias me assaltaram, agora. Hoje, ainda bem, apenas memórias.
Bom post, meu caro. Parabéns!
abçs
Felicidade esparramada e gostosa de sentir...muito bom!
e por falar em inveja...rsrsrs
....longe do coração?
o que as artimanhas podem fazer....
bjo.
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