20 dezembro 2005

chumbo


o sol
o canto da boca
as três horas que esperei

este chumbo
limbo
limo no pulmão
vem da espectativa descascada
pela facalágrima

o hoje não nasceu em mim
eu continuo vítima
da voz escorregadia do outro
Rubens da Cunha
Ilustração: Francisco Geraldo

9 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Às vezes o dia não nasce na gente...


Abraços do CC.

Claudio Eugenio Luz disse...

Como bem disse CC,ás vezes a espera é mais dolorosa que a partida.
.
hábraços,claudio

Valéria disse...

o hoje sempre nasce..eu quero nascer sabe...cansa ficar esperando que nasçam por nós...
um beijo

jotabe disse...

taí

o peso plúmbeo da tua poesia/

espetacular: "o hoje não nasceu em mim"

adoro esse tipo de construção: FACALÁGRIMA

até

[jb]

Dona Estultícia disse...

Porma de deixar chumbado o coração. E a viz some nas plavras do outro...Um beijo.

Celso disse...

vítimas ou culpados?

saudações do cárcere

Maria do Céu Costa disse...

"o sol
o canto da boca
as três horas que esperei..."

Um poema que transmite uma esperança talvez cansada de apenas e só ser esperança. Beijinhos.

C.S.A. disse...

Um abraço.
É sempre bom passar por aqui e ler com olhos de ver.

Helena disse...

Lindo e verdadeiro:

eu continuo vítima
da voz escorregadia do outro.

Eu também.

beijos,

Helena