09 novembro 2005

Solidez


Doem-me as costas.
O lado direito.

A dor vem da má postura frente a invernos teimosos
e do esconder-me atrás de dentes amarelos,
caspa e uma magreza de alma.

Doem-me as costas,
não porque quero ou preciso,
mas porque nas ausências arquiteto uma vida de granito,
ou granizo,

ou qualquer coisa que sólida,
substitui-me as células.

® Rubens da Cunha
Ilustração: Carlos Araújo

6 comentários:

Ítalo Puccini disse...

A dor de esconder-se atrás de dentes amarelos... bonito isso,gostei!

saudações, Íta.

Dona Estultícia disse...

Dói o corpo inteiro. Por dentro. Lindo! Bjos.

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Também gostei...

Abraços do CC.

tania disse...

Rubens,parabéns.Amei o poema que fala da busca de Solidez.
De uma forma ou outra, todos a buscamos.
bjos,Tania

Celso disse...

gostei muito desta lombalgia pétrea, Rubens. Poema invejável.

Saudações do Cárcere

inquieta disse...

Bonito, Rubens.
Dolorido como sempre.
Beijo