o teclado do computado_ sem e__e
ele não sabe o que faze_
ele olha pa_a seu nome
_ubens
fica est_anho
estanho mesmo
sua lingua p_esa
pesa ago_a mais sem o e__e
é um pa_adoxo:
a esc_ita esvazia-se
a fala engo_da
um engodo qualque_
de quem não tem o que fala_
nem esc_eve_
no dia em que
o _ato _oeu a _oupa do _ei de _oma
22 julho 2010
01 julho 2010
dentro do joelho
no entre as virilhas
na cova umbigo
talvez na quinta vértebra
entre um e outro ouvido
no prepúcio
calcanhar
dedos da mão
pelos da cara
no curvo coração
ou no reto
no diafragma
ou na testa
sob a pápebra
atrás da retina
vasculhe, vasculhe
esvazie as veias se preciso
limpe o intestino
os rins
o fígado
a glote
vigie o tutano
os nervos
vasculhe, levante
sacuda, abra
pulmão
testículos
próstata
sola do pé
não desista
insista, vasculhe
perscrute
que é palavra melhor
que está em algum lugar
não cague
não cuspa
não vomite
não retire
ceras
ramelas
os sem nome do nariz e dos baixos
deixe tudo dentro
até encontrá-lo
quando acontecer
extirpe
rasure
e o abandone ao próximo corpo
no entre as virilhas
na cova umbigo
talvez na quinta vértebra
entre um e outro ouvido
no prepúcio
calcanhar
dedos da mão
pelos da cara
no curvo coração
ou no reto
no diafragma
ou na testa
sob a pápebra
atrás da retina
vasculhe, vasculhe
esvazie as veias se preciso
limpe o intestino
os rins
o fígado
a glote
vigie o tutano
os nervos
vasculhe, levante
sacuda, abra
pulmão
testículos
próstata
sola do pé
não desista
insista, vasculhe
perscrute
que é palavra melhor
que está em algum lugar
não cague
não cuspa
não vomite
não retire
ceras
ramelas
os sem nome do nariz e dos baixos
deixe tudo dentro
até encontrá-lo
quando acontecer
extirpe
rasure
e o abandone ao próximo corpo
16 junho 2010
reverberam em mim pedras, anzois, aguilhões
tenho erros e vísceras,
tenho materia mas me faltam penhascos
é o medo de ficar oco
de partilhar sombras e rasos
sou um mamífero,
melhor, inseto,
melhor, peixe qualquer dentro de um rio poluído,
daqueles que geram admiração nos passantes:
param a beira do rio e pronunciam:
pobrezinho, nada feliz no rio que imundamos.
Dou saltinhos por sobre a água
e agradeço à breve contemplação humana.
tenho erros e vísceras,
tenho materia mas me faltam penhascos
é o medo de ficar oco
de partilhar sombras e rasos
sou um mamífero,
melhor, inseto,
melhor, peixe qualquer dentro de um rio poluído,
daqueles que geram admiração nos passantes:
param a beira do rio e pronunciam:
pobrezinho, nada feliz no rio que imundamos.
Dou saltinhos por sobre a água
e agradeço à breve contemplação humana.
02 junho 2010

O beijo que me deram trazia dentro um pranto, um toldo verde, argúcias. O beijo que me deram fez-se permanência, astuta enzima por dentro da boca. Cuspo fora o beijo que me deram. Talvez ainda reste algum tempo de espera, algum tempo para ficar diante do espelho sonâmbulo. Tenho a boca macerada pelo beijo que me deram. Tenho a memória massacrada também: primeiro a mão espinhando a cintura, depois o calor, depois a boca dizendo-se água e vazando sobre mim. Depois a solidão crivada.
Sou um homem triste com um beijo entravado, entrevedo, na mucosa.
Sou um homem triste com um beijo entravado, entrevedo, na mucosa.
Ilustração: Pablo Picasso
19 maio 2010
Ciúme
O rosto do ciúme foi moldado
em escuridão, víbora e ofensa.
Não existe artesão capaz de criar
tal espécie de ordem: tão escudo,
tão cristal, tão imersa nos fantasmas
da beleza, tão pressa ou precipício.
Deter-se neste rosto: remoer-se
como se fosse carne nos açougues.
Atar-se ao pescoço da discórdia:
corda intumescida no desprezo
de todo o tempo ser quase inocente,
quase sempre débil nos levantes
que o amor orquestra, antes de morrer
no exílio infalível do esquecimento.
11 maio 2010
01 maio 2010
Sem anestesia
- ... ele disse que tava doendo.
- E precisava fazer isso?
- Mas... ele disse que tava doendo.
- Tá! mas não tinha alicate, chave inglesa? Qualquer merda para arrancar esse dente?
- Nós tentamos, mas o alicate não coube na boca, aí ele falou: “corta”...
- E você cortou? Tá maluco?
- Mas ele pediu! Eu ainda perguntei: tem certeza?
- E ele respondeu o quê?
- Bem, se ajeitou aqui sobre este tronco e falou: “Pode meter o machado no pescoço”
- E precisava fazer isso?
- Mas... ele disse que tava doendo.
- Tá! mas não tinha alicate, chave inglesa? Qualquer merda para arrancar esse dente?
- Nós tentamos, mas o alicate não coube na boca, aí ele falou: “corta”...
- E você cortou? Tá maluco?
- Mas ele pediu! Eu ainda perguntei: tem certeza?
- E ele respondeu o quê?
- Bem, se ajeitou aqui sobre este tronco e falou: “Pode meter o machado no pescoço”
19 abril 2010
O vaso
Distraído sempre foi. Naquele dia não. Viu uma bola de barro cair, olhou para cima e, graças a Deus, parou. O vaso estatelou-se na sua frente. Ainda procurando quem foi o desgraçado, só ouviu da janela do quarto andar um peloamordedeusmoço, esperaqueeuvouaí, esperou, a dona veio esbaforida, pedindo desculpa, bateu no vaso sem querer, tentou pegar, não conseguiu,
Machucou? Tem certeza? Sobe para tomar água com açúcar.
Aceitou, subiu, A moça trouxe água com açúcar,
Me chamo Maria e você?
João, João Jesus de Deus,
Por isso tão protegido,
Mora sozinha?
Só eu e Deus,
Não seria bom mais um Deus por aqui?
Maria nunca mais derrubou vaso algum da janela.
Machucou? Tem certeza? Sobe para tomar água com açúcar.
Aceitou, subiu, A moça trouxe água com açúcar,
Me chamo Maria e você?
João, João Jesus de Deus,
Por isso tão protegido,
Mora sozinha?
Só eu e Deus,
Não seria bom mais um Deus por aqui?
Maria nunca mais derrubou vaso algum da janela.
12 abril 2010
Enquanto o poema não vem
um pouco de crítica social. Video encontrado no fundamental Vivo na Cidade
Classe Média, por Max Gonzaga
Classe Média, por Max Gonzaga
07 abril 2010
Voz de Mulher
para acompanhar a minha cronica crônica "Cantar é um atravessamento" que vocês podem ler Aqui
Edson Cordeiro canta a música de Sueli Costa e Abel Silva
Edson Cordeiro canta a música de Sueli Costa e Abel Silva
19 março 2010
Rins
Fincou dois pregos nos rins.
É um pouco de comiseração, um pouco de estética, me disse.
Passo a língua em suas costas.
É um pouco de ferrugem, um pouco de culpa, lhe digo.
E nos amamos crucificados.
Cristos desnudos sob o olhar dos cachorros da família
Finjo não perceber que a frieza do metal me perturba os mamilos, a boca,
o aparelho de meus dentes, meus olhos não pregados.
Ri. Pede mais um pouco de atenção e saliva.
Mistura aqui com esse sangue, me diz.
E se espreme, se exprime em carne viva, bem onde os pregos entraram.
E me filtra com seus rins pregados.
Vou fazer falta, ameaço.
Ri.
O mijo morno adorna os cantos da cama.
Cárcere líquido.
e dormimos, púrpura, azul,
vazio.
No lugar dos rins, feijões.
É um pouco de comiseração, um pouco de estética, me disse.
Passo a língua em suas costas.
É um pouco de ferrugem, um pouco de culpa, lhe digo.
E nos amamos crucificados.
Cristos desnudos sob o olhar dos cachorros da família
Finjo não perceber que a frieza do metal me perturba os mamilos, a boca,
o aparelho de meus dentes, meus olhos não pregados.
Ri. Pede mais um pouco de atenção e saliva.
Mistura aqui com esse sangue, me diz.
E se espreme, se exprime em carne viva, bem onde os pregos entraram.
E me filtra com seus rins pregados.
Vou fazer falta, ameaço.
Ri.
O mijo morno adorna os cantos da cama.
Cárcere líquido.
e dormimos, púrpura, azul,
vazio.
No lugar dos rins, feijões.
10 março 2010
Vazio
o estômago oco
- não fome -
é outro buraco
a auréola perdida
pescoço livre
caibro e corda
são esperas
o pão engolido
distrai o abismo
pela janela
um pedaço de sol
destrói a manhã
- não fome -
é outro buraco
a auréola perdida
pescoço livre
caibro e corda
são esperas
o pão engolido
distrai o abismo
pela janela
um pedaço de sol
destrói a manhã
03 março 2010
Métrica da Pele
o corpo senzala a solidão
tudo reverbera
pérola cama folhas dedos
tudo recende ouro
outro tato testemunha
o dúplice o códice
o vórtice esmigalhado
a métrica da pele
amanhece imprecisa
esquece as saídas
as sombras do dia
e escande-se
gato sorte amor
por sobre os lençóis
e dorme de novo
em noivo silêncio
dentro da luz nua
do futuro
Foto: Amanda Spitzner no Exploding Plastic Inevitable
16 fevereiro 2010
Retina de Arame
Ana quer meu relato
meu ato de sangue
meu casto incenso
Ana quer defumar-me
feito porco
em tiras, em postas
em respostas que não posso dar
pois Ana fantasma-se há anos em mim
suas palavras chilenas
seu nome completo
Ana Maria Fuenzalida
lidam com minhas fraquezas
meus silêncios impuros
lamento tanto esse muro
esse Andes de carne que faz de Ana
algo maior do que posso ver
talvez tudo isso
seja um tanto de distância
um tanto de desgosto perfurando
minha retina de arame
Ana talvez nada seja
além de um pássaro sobrevoando o Pacífico
além de uma mulher pedindo meu relato
o obtendo apenas
o meu pouco poema
meu ato de sangue
meu casto incenso
Ana quer defumar-me
feito porco
em tiras, em postas
em respostas que não posso dar
pois Ana fantasma-se há anos em mim
suas palavras chilenas
seu nome completo
Ana Maria Fuenzalida
lidam com minhas fraquezas
meus silêncios impuros
lamento tanto esse muro
esse Andes de carne que faz de Ana
algo maior do que posso ver
talvez tudo isso
seja um tanto de distância
um tanto de desgosto perfurando
minha retina de arame
Ana talvez nada seja
além de um pássaro sobrevoando o Pacífico
além de uma mulher pedindo meu relato
o obtendo apenas
o meu pouco poema
30 janeiro 2010
Relato
Para Adriana,
Estive numa praia quase deserta com nome estranho, mais ao sul de onde vivo. Eu soube que baleias invisíveis a visitam nas manhãs de janeiro. Fazem filhos e gritos na rebentação. Só quem pode ver e ouvir são as vacas que pastam nos arredores. Elas levantam a cabeça, param de ruminar, como que exigindo silêncio e ficam embevecidas com o sexo e a voz das baleias. As pessoas do lugar já se acostumaram. Quem chega de fora admira-se com a postura das vacas e tenta a todo custo ver e ouvir baleias também, mas nada consegue além de salgar-se no mar bravio. Foi quando eu vi uma mulher engarrafar palavras e jogá-las ao mar. Perguntei o que estava fazendo e ela me respondeu:
- Quero que as baleias engulam minhas palavras, se acostumem comigo, saibam quem eu sou, pois no último dia de janeiro eu vou embora com elas.
Amanhã, eu voltarei à praia. A mulher disse que eu não preciso levar bagagem nenhuma.
Estive numa praia quase deserta com nome estranho, mais ao sul de onde vivo. Eu soube que baleias invisíveis a visitam nas manhãs de janeiro. Fazem filhos e gritos na rebentação. Só quem pode ver e ouvir são as vacas que pastam nos arredores. Elas levantam a cabeça, param de ruminar, como que exigindo silêncio e ficam embevecidas com o sexo e a voz das baleias. As pessoas do lugar já se acostumaram. Quem chega de fora admira-se com a postura das vacas e tenta a todo custo ver e ouvir baleias também, mas nada consegue além de salgar-se no mar bravio. Foi quando eu vi uma mulher engarrafar palavras e jogá-las ao mar. Perguntei o que estava fazendo e ela me respondeu:
- Quero que as baleias engulam minhas palavras, se acostumem comigo, saibam quem eu sou, pois no último dia de janeiro eu vou embora com elas.
Amanhã, eu voltarei à praia. A mulher disse que eu não preciso levar bagagem nenhuma.
Palavras emprestadas 16 - Nelson de Oliveira
Levando-se em consideração tão-só a qualidade, há, mais uma vez, dois tipos de escritor: o medíocre e o genial. O escritor medíocre é fácil de reconhecer. Basta ler duas linhas, dois versos, e lá está ele: inteiro, acabado, cheio de viço. Em cada sílaba a mesmice juramentada. Já o escritor genial não é fácil de reconhecer. Dele não basta ler duas linhas, dois versos. Cada página, um ponto de interrogação. Será que é? Será que não é? Titubeamos linha após linha, verso após verso. Aborrecidos, deixamos sua obra de lado. Dias depois, quando tornamos a ele, uma vez a insegurança. Será? Trocamos impressões com os amigos - tão indecisos quanto nós - e... sim! Trata-se de vinho, não de água. Soltamos foguetes e transformamos o novo gênio em patrimônio da humanidade. Mas por que o barulho? A genialidade é um acidente biológico que não deve ser perseguido a qualquer preço. Tanto o escritor medíocre quanto o genial procuram com sua obra granjear a estima da tribo. Por isso gastam apenas parte do tempo escrevendo. A outra parte usam para desocupar as estantes, a fim de colocar no lugar das obras do passado a sua. Algumas destas novas obras injetam sangue puro na cultura. A maioria, não. Quem se importa? Amor e morte, sexo e assassinato - os mesmos cinco ou dez textos primordiais têm sido reescritos e descartados há milênios. Descartados não, devorados. O nome do monstro? Literatura.
Nelson de Oliveira, in O Século Oculto e outros sonhos provocadores. Ed Escrituras.
22 janeiro 2010
17 janeiro 2010
Presente
Enquanto não arranco de mim texto algum para hospedar nessa casa,
Mara me faz feliz presenteando-me com um texto.
Mara me faz feliz presenteando-me com um texto.
14 janeiro 2010
André Dahmer me usando
08 janeiro 2010
Revista Zunái
A Zunái - Revista de Poesia & Debates publicou uma seleção de seis poetas catarinenses com apresentação de Marco Vasques. Aos que aqui se hospedarem convido para uma visita à Zunái e ler um pouco dos poemas feitos nessa terra mais ao sul:
os poetas são:
Fernando José Karl ( cujo blog Nauttikon também merece a visita)
Ramone Abreu Amado ( o blog Pausa da Poesia não está atualizado, mas possui um arquivo que irá surpreendê-los)
Dennis Radünz
Rubens da Cunha
Péricles Prade
Rodrigo de Haro
os poetas são:
Fernando José Karl ( cujo blog Nauttikon também merece a visita)
Ramone Abreu Amado ( o blog Pausa da Poesia não está atualizado, mas possui um arquivo que irá surpreendê-los)
Dennis Radünz
Rubens da Cunha
Péricles Prade
Rodrigo de Haro
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